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Entrevista EXCLUSIVA a Zack Polanski, do partido dos Verdes de Londres

Entrevista realizada por Nelson Farrim a Zack Polanski

Zack Polanski é candidato à Assembleia Municipal de Londres. Londres tem um Mayor (presidente da Câmara) e 25 membros eleitos que são responsáveis por uma série de áreas como a habitação, segurança, o ambiente e os transportes.

Zack também é candidato a deputado do Parlamento britânico. Além do seu trabalho político, também se envolve em outras áreas como o teatro político e as artes quando não está a fazer campanha.

NF- Acha que o seu partido consegue ganhar as eleições Municipais de Londres?

ZP- Com certeza! Acredito nisto mais do que nunca. Temos visto em todo o mundo um movimento ambiental progressivo o que insinua que precisamos de um novo pacto ambiental. Mais especificamente, um plano estruturado e definitivo que combine a justiça ambiental e social para construir uma Europa (e Londres) que sejam realmente parte do século XII.

Vai ser muito difícil, maioritariamente por causa do sistema eleitoral injusto que existe no Reino Unido, e que nunca foi mudado. Eu penso, no entanto, que temos a resposta certo ao apostar em Sian Berry e numa fantástica lista de candidatos á Assembleia que penso que pode e conseguirá, ir mais longe que nunca.

NF- Como é que o partido verde de Londres vai resolver o Brexit e o problema de migração?

ZP- Começando pela última pergunta, não acredito que tenhamos um problema de imigração. O movimento verde tem muito orgulho nos benefícios, criatividade e diversidade que os imigrantes trazem ao nosso país.  Está provado que a imigração dá origem a um sistema fiscal mais saudável e origina um elevado crescimento doa economia local o que origina o enriquecimento de toda a comunidade. Eu aceito que existam algumas preocupações, existe realmente um abaixamento dos salários dos trabalhadores devido ao elemento da competição – por isso vamo-nos focar em garantir que as entidades empregadoras estejam a renumerar os seus funcionários adequadamente e que tenhamos, no mínimo, salários razoáveis para se viver.

Acho que independentemente do que acontecer com o Brexit – e eu pessoalmente quero um referendo com a opção de permanecer – temos que analisar o que levou ao Brexit no primeiro lugar. Eu acredito que o grande problema foi primariamente o sistema eleitoral do Reino Unido. Este sistema levou a que durante muitas gerações os eleitores entenderam ser praticamente inútil votar, o que levou a que muitos dos assentos políticos não mudassem de mãos desde a rainha Vitoria. Nós precisamos de uma democracia moderna que possa debater e discutir assuntos importantes e complexos. Para tal necessitamos de um sistema de representação proporcional.

NF- Sente que o setor da energia é um grande problema no Reino Unido? Que outros setores económicos necessitam de mudança?

ZP- Sim, é de facto um problema enorme no mundo inteiro se não começarmos a opor-nos aos interesses instalados. Necessitamos de um enorme aumento do investimento em energias renováveis. Já deixamos há demasiado tempo o governo nos faça acreditar que a energia solar e eólica não são soluções nem boas nem sustentáveis para a economia quando a verdade é precisamente o oposto. Podemos dar origem a uma “revolução verde” com empregos e energias sustentáveis, e, acima de tudo, proteger o nosso planeta.

Uma grande parte tem a ver com a procura também – e apesar de nós necessitarmos que as grandes empresas mudem nós também podemos mostrar as nossas capacidades de liderança ao tomar responsabilidade individual onde e quando pudemos.

A perfuração constitui um problema cada vez maior no Reino Unido – apesar dos esforços do Green Party– é importante que todos nós digamos claramente em voz alta que achamos que os combustíveis fosseis devam permanecer no subsolo.

Em relação aos outros sectores, não creio que esta entrevista seja longa o suficiente para abordá-los todos, mas restaurar alguns serviços orientados aos jovens, proteger os direitos LGBT+, revitalizar a vida noturna, abordar o mercado imobiliário, possibilitar a melhoria da infraestrutura do ciclismo, falar sobre o rendimento dos cidadãos, etc… Acho que poderia continuar por um bom bocado!

NF- Como vê o futuro de Londres?

ZP- Essa é uma questão muito difícil de responder. Estamos a ter esta entrevista só a umas semanas da data do Brexit. Eu imagino, e espero, que seja adiado – mas há muito a acontecer nesta data.

Estou preocupado– como Judeu, como homossexual e como cidadão de Londres, mas também estou preocupado com a transfobia, islamofobia e com os outros crimes de odio que parecem estar a aumentar por causa das tensões que surgiram devido ao referendo.

Vou, no entanto, optar pela resposta otimista. Eu acho que uma representação verde mais forte pode levar a que tenhamos uma cidade onde todos nós possamos ter uma casa para viver, o restabelecimento das forças policias, sem, no entanto, terem mais poderes discriminatórios e que as ruas sejam seguras para todos. Eu quero ver uma cidade de Londres que celebra a diversidade e a diferença, mas que também interaja com o resto do país e da Europa. E, sem grandes surpresas aqui, gostaria de ver em Londres mais membros eleitos do Green Party que pudessem trabalhar em conjunto para tornar esta visão numa realidade para que possamos lutar contra a emergência climática juntos.

NF- Porquê os Greens?

ZP- Acho que somos um partido que está a lutar para que tenhamos um sistema eleitoral justo. Esta é apenas uma das minhas prioridades, porque até que tenhamos uma verdadeira democracia, é nos muito difícil lidar com a crise número um que existe de momento que são as alterações climáticas.

Também tenho muito orgulho em que sejamos um partido moderno e progressivo que vê a justiça social como sendo intimamente ligada com a justiça climática. Também somos a favor da Europa, somos internacionalistas e acho que temos as melhores redes sociais também!

Tradução por: Manuel Gamito



Por Nelson de Pina Farrim é o Fundador do Portal de notícias Pois.pt, nasceu em 15 de Julho de 1991.  Estudou fisioterapia, mas muito cedo percebeu que o seu caminho passava pelo activismo dos direitos das mulheres e da comunidade LGBT+, o que o levou a criar o portal Pois.pt. É modelo, gosta de jogos de consola e pratica ginásio.

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