Prémios Arco-Íris 2018 da ILGA Portugal

Os Prémios Arco-Íris da ILGA Portugal serão entregues no dia 12 de janeiro de 2019 (sábado), a partir das 21h30, no Estúdio Time Out – Mercado da Ribeira, numa cerimónia conduzida por Rita Ferro Rodrigues e Rui Maria Pêgo.

A 16ª edição desta iniciativa anual da maior e mais antiga associação LGBTI de Portugal, celebra pessoas e instituições que se distinguiram ao longo do ano de 2018 na luta contra a discriminação em função da orientação sexual, da expressão e identidade de género e características sexuais no nosso país.

Os troféus, serão entregues às seguintes pessoas e entidades:

RTP – Rádio e Televisão de Portugal
Num país ainda com muitas lacunas cívicas no que toca à defesa e sensibilização para os Direitos Humanos, incluindo os das pessoas LGBTI, e que procura elevar-se perante movimentos extremados e ameaçadores da liberdade de todas as pessoas, a RTP tem dado provas de que é possível resistir e dar espaço e visibilidade à diversidade, contribuindo para quebrar silêncios e desconstruir preconceitos. Da informação ao entretenimento, e através do apoio e promoção de conteúdos de rádio e televisão nos quais as pessoas LGBTI são finalmente figuras de destaque, a RTP tem contribuído para criar importantes referências e identificações que ajudam a reverter o isolamento de milhões de cidadãs e cidadãos aos quais chega a sua programação, num verdadeiro sentido de serviço público que importa louvar.

Campanha #respectbattles da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)
A APAV lançou o movimento #respectbattles, ao qual aderiram várias figuras do hip-hop português, entidades públicas e organizações não governamentais nacionais e internacionais que, em conjunto, alertam através da música de intervenção para a urgência do combate aos discursos e crimes de ódio nas suas mais variadas vertentes. Com esta campanha interseccional, a APAV afirma com convicção que é tempo de dizer basta ao ódio étnico e racial, ao ódio a pessoas migrantes e requerentes de asilo, ao ódio e intolerância religiosa e ao ódio a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo. Aplaudimos esta mensagem que apela à prevenção do ódio, a qual se faz com a formação de profissionais, o empoderamento de vítimas, a sensibilização à população e a promoção de serviços preparados para vítimas com necessidades específicas de apoio e proteção.

Documentário “Até que o Porno nos Separe” de Jorge Pelicano
Este prémio é atribuído pela AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género. Os processos de coming out e visibilidade envolvem não só as pessoas LGBTI como, na maior parte das vezes, as suas famílias e comunidades próximas. “Até que o porno nos separe” é um documentário de Jorge Pelicano que reflete precisamente sobre a complexidade das relações familiares quando se fala em questões de orientação sexual e expressão de género. O emocionante filme dá a conhecer a história de Eulália, uma mãe de 65 anos residente num bairro nos arredores do Porto, e o seu filho, Sidney, emigrado na Alemanha, país onde trabalha como reconhecido e premiado ator de pornografia gay. “Até que o porno nos separe” conduz-nos por uma viagem difícil que é marcada por desencontros, preconceitos, quebras de diálogo e confiança, mas na qual Eulália e Sidney travam uma batalha conjunta contra a intolerância, a homofobia e também o estigma que reside em torno da pornografia.

Carolina Reis, jornalista
Abordando de forma responsável os muitos desafios que ainda se colocam à igualdade de género, e em particular aos direitos das mulheres e das pessoas LGBTI, Carolina Reis tem elevado o nível da informação em torno destas questões no debate público. E soube fazê-lo também com as recentes mudanças legislativas com impacto nos direitos fundamentais das pessoas LGBTI, tal como a lei que garante finalmente o direito à autodeterminação da identidade, expressão de género e características sexuais, ou em questões que dizem respeito a direitos no acesso à procriação medicamente assistida e à gestação de substituição. Quando a realidade da discriminação e do estigma que atinge as pessoas LGBTI é ainda invisível para uma grande parte da sociedade, o jornalismo tem de assumir ainda mais o papel de guardião dos factos.

Coming out de Célio Dias, Sandra Cunha, Adolfo Mesquita Nunes, Gabriela Sobral e Inês Herédia
Este ano, a ILGA Portugal premia em simultâneo várias personalidades que no mesmo ano ajudaram a quebrar o silêncio e a dar visibilidade às suas e às nossas vidas; evidenciando cada vez mais que as pessoas LGBTI estão mesmo por todo o lado, e que só agora as começamos a ver. Inês Herédia e Gabriela Sobral têm partilhado com o grande público o amor da sua relação e os seus momentos felizes em família, felicidade que nos lembra a importância de salvaguardar os ainda muito recentes – e por isso precários – direitos à parentalidade em casais de pessoas do mesmo sexo. Célio Dias, o primeiro atleta olímpico assumidamente LGBTI em Portugal, que numa corajosa entrevista ao jornal Record ressalvou o desporto como uma área que tem permanecido particularmente difícil e discriminatória para as pessoas LGBTI, lembrando-nos ainda dos desafios interseccionais e da importância que a saúde mental tem em contextos pouco seguros e altamente discriminatórios. Sandra Cunha e Adolfo Mesquita Nunes, elementos de destaque no cenário político português que, com as suas palavras de coming out, nos lembram que as pessoas LGBTI são mesmo transversais a toda a sociedade e a todo o espetro partidário.

Partidos e deputada pela igualdade: PS, BE, PCP, PEV, PAN e Deputada Teresa Leal Coelho
Este prémio é atribuído pela rede ex aequo – associação de jovens lgbti e apoiantes. Em 2011, Portugal foi pioneiro ao tornar o reconhecimento legal da identidade de género um processo meramente administrativo, acabando com a vergonha de décadas de violações graves aos Direitos Humanos das pessoas trans nos tribunais do nosso país. Sete anos depois, aplaudimos novamente o trabalho do Parlamento português, em particular das deputadas e deputados que permitiram finalmente dizer sim ao reconhecimento do direito à autodeterminação da identidade e expressão de género, alargando-o, ainda que de modo insuficiente, a crianças e jovens. Hoje, a lei em Portugal reconhece finalmente que as pessoas trans sabem quem são, permitindo a mudança de nome próprio e sexo legal a partir dos 16 anos, e contribuiu também para tornar o nosso país num dos poucos do mundo que cumpre já as mais recentes recomendações das Nações Unidas, no que respeita à proteção das características sexuais de bebés e crianças intersexo.

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Francisco Lacerda

Francisco Lacerda

Francisco Lacerda é artista, crítico cultural e director criativo do Pois. Escreve para o Pois desde 2018. Escreve também para vários meios de comunicação social e é curador de arte internacional. Estudou em Lisboa e Londres, onde desenvolveu conhecimentos no mundo de arte, gestão e luxo. Francisco Lacerda já realizou entrevistas em representação do Pois, a artistas como: Duane Michals, Edouard Taufenbach, Anthony Lister, Manuel Braun.

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