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De Olhos Bem Abertos. PATTY HORING

Entrevista a Patty Horing por Francisco Lacerda

FL – Quando começou o teu interesse pela arte e psicologia? Qual o nível de importância para ti, a investigação sobre o íntimo das pessoas ou da pessoa, na sociedade moderna?

PH – Para mim, a psicologia tem estado sempre ligada com a arte. Mesmo quando era mais nova, sempre que eu via retratos de pessoas, ficava sempre curiosa e queria saber a sua história – Mas quem serão? Como vivem, e onde? Porque foi alguém capaz de pintar aquelas pessoas? – como pintora e artista de retratos, o meu interesse é mostrar algo que ficou entre-aberto e criar curiosidade. Ultimamente, tenho a capacidade de captar o sentimento e a essência da pessoa, não só pela sua simplicidade, bem como pela sua expressão facial.

FL – O que pensas de Lucian Freud, Francis Bacon e Sigmund Freud? Eles são uma referência para ti?

PH – Provavelmente eu penso mais sobre Lucian e Bacon, do que Sigmund, mas eu fui educada para que tivesse um forte conhecimento do id-ego-superego e da literatura de Freud, por isso toda a sua teoria esta retida no meu cérebro :). Ao nível artístico, o artistas que me inspiram são Alice Neel, David Hockney, Kerry James Marshall, entre outros. Depois de tantos anos a ver pinturas, eu fico com a imagem gravada na minha mente, e revejo-a vezes sem conta, com novas ideias, que me dá e dão muito prazer. Posso dizer que sou uma sortuda pelo facto de viver em Nova York, onde consigo ver grandes obras de arte muito importantes. Por mais maravilhoso que seja o Instagram, eu prefiro ver as obras de arte ao vivo.

FL – Estas obras são um retrato da realidade, algo encenado ou memórias passadas?

PH – Na maioria dos casos, a minha obra é 60% baseada na realidade e 40% fruto da minha imaginação. Eu trabalho com pessoas reais (na maioria amigos ou família), que me dão o seu tempo e abertura. Normalmente vou a casa da pessoa, tiro fotografias com várias posições e em vários espaços. Ás vezes, já tenho uma ideia pré-concebida, como podemos ver na obra “Joe & Joe”, onde dois homens quase gémeos, se sentam de mãos dadas, formando um casal.

Por vezes, tal como na obra “‘Etruscans”, o tema surge primeiro. Neste caso, a mulher veste o seu robe de seda. O que leva a criar uma pose baseada no Sarcofago degli Sposi.

Mas em ambos os casos, enquanto as semelhanças e a pose permaneceram “reais”, eu reinventei completamente os espaços e as cores. Na minha obra mais recente, intitulada de “Penelope”, a direção foi ainda mais surreal, devido ao facto de que, quando eu estava a sonhar, imaginei um dia em que a “Penelope” estaria há espera do regresso de Odysseus.

FL – Qual é o teu próximo projeto?

PH – Neste momento terminei a minha exposição de nus (‘Underdressed’) na Anna Zorina Gallery em Nova York, há umas semanas atrás, e agora vou começar um projeto novo. Eu tenho várias ideias, mas ainda não me decidi. Para apimentar as coisas, posso revelar que estou a fazer algumas pinturas grandes e rápidas em mylar – um material muito translúcido de papel e plástico. Este projeto tem peças que são retratos de outros artistas, com os quais é muito divertido trabalhar. Até porque muitas vezes são livres e inconscientes … o que ajuda.

pattyhoring.com

Por Francisco Lacerda: Francisco Lacerda é artista, crítico cultural e director criativo do Pois. Escreve para o Pois desde 2018. Escreve também para vários meios de comunicação social e é curador de arte internacional. Estudou em Lisboa e Londres, onde desenvolveu conhecimentos no mundo de arte, gestão e luxo. Francisco Lacerda já realizou entrevistas em representação do Pois, a artistas como: Duane MichalsEdouard TaufenbachAnthony ListerManuel Braun.

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