Séries com temática LGBTQ para ver durante o Isolamento

Autor: Diogo Coelho | Instagram: diogomcoelho

O Mundo, como o conhecemos, nunca mais será o mesmo depois desta pandemia passar. Sim, porque ela vai passar, e quando deixarmos de ter de nos preocupar com as corridas aos supermercados, ou com a iminente falta de papel higiénico nas prateleiras dos mesmos (não percebo, deve ser fetiche!) é nossa função parar e pensar como é que poderemos deixar o Mundo mais coeso, igualitário e justo.

Mas até lá, e porque muitos de nós estão numa espécie de prisão domiciliária, onde muitas vezes escasseiam as ideias de como passar o tempo, venho deixar-vos 3 sugestões de séries que vieram ajudar na abertura da mente da nossa sociedade, e que mostraram as diferentes faces da comunidade LGBTQ. Não existem apenas estas, podia enumerar muitas outras, mas para além de estas falarem de diferentes temas presentes na comunidade LGBTQ, estão também disponíveis em pelo menos um dos diferentes serviços de streaming que temos disponíveis em Portugal.

Antes ainda de vos falar destas séries, quero referir que hoje em dia qualquer meio audiovisual ou de entretenimento deverá conter representatividade. Quer seja com a integração de diferentes raças, diferentes géneros, religiões ou orientações sexuais, estes meios deverão ser motores para a aceitação das diferenças que existem entre todos nós, daí a minha escolha recair sobre estas séries.

Sense8

Sense8

Sense8 é uma série da Netflix que esteve no ar entre 2015 e 2018, e durante as 2 temporadas (e o posterior filme) acompanhamos as histórias das 8 personagens principais, que apesar de estarem cada uma numa diferente parte do Mundo, estão interligadas de uma forma neurológica, que lhes permite visitar os locais em que cada um está, sentir os cheiros, o toque, entre outros. Está catalogada como uma série de Drama, Mistério e Sci-Fi, e acredito que quem goste de ver conteúdos “out of the box” ficará rendido a esta obra de arte das irmãs Wachowski, criadoras da saga Matrix.

Toda a série envolve temática LGBTQ, mas dois casais em concreto chamam a atenção. Em primeiro lugar o casal constituido pela Nomi, uma Mulher Trans, e pela Amanita, uma Mulher Cis. Nomi nasceu como Michael, e a familia nunca apoiou a sua mudança de sexo. Por seu lado Amanita tem uma familia constituida por uma mãe e três pais, que a aceita a ela e a Nomi e as apoiam desde o inicio da sério.

O outro casal é Lito e Hernando. Enquanto que Hernando trabalha na área da cultura, o que lhe permite passar mais despercebido, Lito é um famoso ator de filmes e telenovelas Mexicanas, conhecido pelos seus papéis de herói e macho latino que em nada se coaduna com a sua vida privada, e quando os media conhecem a verdadeira orientação sexual da personagem, transformam a sua vida num inferno.

Mas a série é muito mais complexa e profunda. Além da problemática que envenvolve as 8 personagens principais, cada um deles tem ainda os seus problemas pessoais. Entre a orientação sexual, amores, religião, drogas e familia, as personagens têm muito com o que se preocupar, e a nós com o que nos entreter.  

A série reúne vários discursos emocinantes de luta sobre diferentes causas dentro da comunidade LGBTQ, tendo inclusive em 2016 parte do elenco estado presente na marcha LGBTQ Brasileira, em São Paulo, onde acabou por ser gravada parte da 2ª temporada.

Não poderia deixar de fazer referência à banda sonora para lá de espetacular. Com fortes raízes em grandes hits dos anos 80, aliada à fotografia e às interpretações dos atores, acaba por nos conseguir transportar para dentro da própria série parecendo que fazemos parte da mesma.

Infelizmente a série teve de ser cancelada porque o budget necessário era imenso (recordo que era gravada pelo Mundo todo). Mas depois do fim da série, a pedido de muitos e muitos fãs de todo o Mundo, a Netflix acabou por fazer um filme para encerrar a história.

Sense8 é uma série de aventura, profunda, sexy e nostálgica que merece ser vista de mente aberta.

Grace and Frankie

Grace and Frankie

Com duas atrizes de peso, nomeadamente Jane Fonda e Lily Tomlin, Grace and Frankie é também uma série da Netflix que conta já com 6 temporadas e com a 7ª prevista para 2021. São episódios com uma média de 25 minutos que são de rir do inicio ao fim, portanto são excelentes para quem anda mais desanimado por estes dias.

Apesar de a série de focar muito no dia a dia das duas personagens principais, a história é despoletada quando os maridos de ambas, amigos e sócios de longa data, decidem marcar um jantar de casais para comunicar às respetivas esposas, que para além de serem ambos homossexuais, têm um relacionamento extraconjugal há vários anos. E como se não bastasse querem divorciar-se delas e casar-se o quanto antes. Obviamente que a vida de todos fica virada de cabeça para baixo, as duas mulheres vão morar juntas e ajudar-se mutuamente a ultrapassar a situação.

Esta série é especialmente interessante porque para além de ser divertida e engraçada, aborda temas que não estamos habituados a encontrar numa série com a temática LGBTQ, que é a “saída do armário” de personagens na casa dos 80 anos perante aqueles que lhe são mais queridos, e a posterior decisão de dar inicio a uma vida em conjunto, com todas as dificuldades, constrangimentos e desafios que um casal homoafetivo de 30 anos tem que enfrentar.

Grace and Frankie é uma série que tem a capacidade de mostrar que nunca é tarde para encontrar o verdadeiro amor e para que uma pessoa seja verdadeira consigo mesma e com os outros.

Special

Special

A última série de que vos venho falar é Special. A série é inspirada no livr de memórias do escritor Ryan O’Connell, e foi criada, escrita e protagonizada pelo próprio. A série acompanha a vida de Ryan Hayes, um jovem gay que sofre de um caso moderado de paralisia cerebral. Ele lida muito em com a sua sexualidade mas não gosta de falar sobre a paralisia, principalmente por achar que as pessoas o vão tratar de forma diferente.

Ele mora com a mãe, os dois são bastante próximos e conversam abertamente sobre a homossexualidade de Ryan. No decorrer da série ele decide que está na hora de tornar-se mais independente, por isso vai a algumas entrevistas de emprego e acaba por iniciar um estagiário na redação de um blogue, onde acaba por conhecer Kim, uma das principais escritoras do blogue. Os dois tornam-se bastante próximos e ela incentiva-o a sair da sua zona de conforto.

Para além de mostrar a vida profissional de Ryan, a série explora também a sua vida amorosa, especialmente quando este inicia a busca pela sua independência a esse nível, com a utilização de APPs de encontros, com a sua “primeira vez” e com os amores platónicos que vão surgindo, tão comum à maioria das pessoas.

Os episódios têm em média 15 minutos porque são quase crónicas da vida do autor, baseadas nas suas memórias, o que facilita e muito ver a série toda num só dia. A segunda temporada já foi confirmada pela Netflix e está prevista estrear ainda em 2020.

Special é como o próprio nome indica, uma série muito especial, atual e verdadeira.

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Diogo Coelho

Diogo Coelho

Nascido em Lisboa no ano de 1987, o Diogo viveu a sua infância sempre perto da capital portuguesa, até que, ao ingressar na Universidade de Évora para Licenciar-se em Economia, acabou por se mudar para a cidade alentejana durante alguns anos, onde concluiu também o Mestrado em Gestão. Atualmente trabalha na área da banca, e entre idas ao ginásio e passar tempo de qualidade com os que lhe são mais próximos, o Diogo guarda sempre algum tempo para acompanhar séries e filmes dos mais variados tipos. Este interesse fez com que no início de 2020 começasse a fazer vídeos para o IGTV onde fala sobre estes temas. Entre criticas a alguns conteúdos, resumos e entrevistas, o Diogo tenta levar até aos seus seguidores aquilo de que melhor a televisão e o cinema têm para oferecer.

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