Gustavo Carvalho: Merecemos Viver!

A cada 19 horas, um membro da comunidade LGBT+ morre no Brasil (Fonte: relatório do GGB, Grupo Gay da Bahia). A performance de Gustavo Carvalho relembra uma realidade muito chocante do Brasil, através do uso do seu próprio corpo deitado na bandeira LGBT, mesmo no meio do passeio. Esta performance serviu de exemplo para todos aqueles que não têm conhecimento ou não querem saber da triste situação na comunidade LGBT+. Desta forma, podemos sentir toda a brutalidade que estas pessoas sofrem, bem como a fragilidade da situação. O artista quer que haja uma reflexão sobre estas vidas desumanas e sobre a sociedade que ainda permite que seres humanos sejam mortos por serem o que realmente são.

O principal motivo de eu estar aqui são as 445 mortes por homofobia em 2017 e as mais de 200 neste ano (2018). Mesmo sabendo que esses números não representam a real situação de mortes por homofobia (porque realmente existem outras que nem chegam a ser registradas), gostaria de homenagear cada ser que foi retirado de nosso mundo. Alguns dos meus amigos falaram que poderia ser perigoso o fato deste ato ser em uma praça pública, mas se eu o fizesse em um local ‘seguro’, perderia todo o sentido: a minha proposta não é levar esse debate para pessoas que já sabem o quanto é difícil ser LGBT na nossa sociedade, e sim para pessoas que estão por fora da nossa realidade, por isso a escolha desse lugar”.

Esta performance foi realizada no dia 24 de Agosto de 2018 na praça do Derby. Uma praça muito conhecida, na cidade do Recife (Pernambuco, Brasil). Em 2019, o Brasil deu início a um processo pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para criminalização da homofobia, porém o atual governo, nitidamente homofóbico, luta de todas as maneiras para que isso não aconteça. Atos e performance como os de Gustavo Carvalho tornaram-se extremamente importantes para contrariar as visões do governo atual. Através da arte, consegue tornar a vida LGBT+ aceite.

Foto: Ezequiel Sena

Gustavo Carvalho, nasceu no Recife, Brasil. Formado em design, estudou entalhe e marcenaria no MEPE (Museu do Estado de Pernambuco) e também no MEPE fez parte do educativo e da equipa de museologia. Também estudou artes visuais na escola de artes João Pernambuco, onde fez sua primeira exposição coletiva. Na área de artes cênicas, participou do grupo de teatro Parcas Sertanejas, onde fez suas primeiras performances.

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Francisco Lacerda

Francisco Lacerda

Francisco Lacerda é um artista, curador de arte internacional e editor de cultura do Pois. Trabalha para o Pois desde 2018. Já estudou e trabalha em arte, gestão, mercado de arte e gemologia. Francisco Lacerda já realizou entrevistas em representação do Pois, a artistas como: Duane Michals, Edouard Taufenbach, Anthony Lister, Manuel Braun.

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